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Wayne Gardner: a segunda viagem pela carreira dos filhos
Publicado em 24.Jun.2013
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Quando, em 1981, arriscou deixar a Nova Gales do Sul, na Austrália, em busca de uma carreira de sucesso nas corridas de motos na Europa, a mãe preparou-lhe uma avantajada sanduíche para a longa viagem de avião, porque depois, quanto ao resto, teria de se desenrascar como pudesse. E sete anos depois um tal Wayne Gardner escrevia um novo capítulo na história do motociclismo australiano, ao ser o primeiro piloto “aussie” a sagrar-se campeão mundial de 500 cc (hoje MotoGP). O que não imaginaria, já depois de colocar um ponto final nos brilhantes anos de competição nas duas rodas para se transferir para os automóveis durante quase uma década, correndo em carros de Turismo – no Campeonato V8 australiano, com um Holden Commodore, e depois no Japão, nos Grande Turismos, com um Toyota Supra –, é que ao fim de 31 anos voltava a sentir o mesmo impulso de deixar tudo para trás no seu país, mas agora em família e com o objetivo de proporcionar aos dois filhos, Remy e Luca, todas as condições para um dia… serem campeões. A família Gardner (Wayne, a sua mulher Toni e os dois miúdos) deixou Sydney no início de 2012 para se fixar, com caráter definitivo, em Espanha, mais especificamente em Sitges, uma estância balnear dos arredores de Barcelona. Uma aposta de vida em nome do futuro dos filhos, ao concluir que tinham potencial para singrar ao mais alto nível no motociclismo e o melhor campeonato para uma aprendizagem e evolução gradual estava em Espanha, ou não tivesse campeões da estirpe de um Jorge Lorenzo, Dani Pedrosa ou Marc Marquez. Aliás, o primeiro é amigo de Gardner e até ajuda os seus filhos quando coincidem em treinos nalgumas pistas espanholas. Antigos colegas de Gardner como Kenny Roberts ou Randy Mamola foram os primeiros a aconselhá-lo a escolher o CEV (Campeonato de Espanha de Velocidade) como “escola” de competição para os seus filhos.

Os contornos desta história fantástica foram dados à estampa numa reportagem da revista espanhola “Solo Moto”, na qual o antigo piloto conta que prescindiu dos seus negócios na Austrália para investir tudo nos filhos, numa decisão apoiada pela esposa, que também assume um papel importante na estrutura, tratando da angariação de patrocínios. Curioso, sem dúvida, é que aterraram os quatro em Barcelona sem falar uma palavra de…espanhol, algo que tem vindo a mudar. Remy e Luca desde o início que tiveram aulas específicas para aprender o idioma do país que os acolheu, fazendo a sua escolaridade numa escola internacional e os pais já se sentem cada vez mais à-vontade no domínio da língua castelhana.

“De certo modo é um privilégio estar aqui, mas o primeiro ano foi muito duro. A nossa ideia é ficarmos muitos anos, se tudo correr bem”, confidencia o casal Gardner, cuja vida gira em torno dos filhos, que se repartem entre as obrigações escolares, a prática de desporto (futebol, ténis e preparação física) e os treinos de motociclismo – afinal o motivo número um que levou a família a abdicar de uma vida confortável e desafogada em Sydney pelo… desconhecido –, em pistas como Alcarrás, Castelloli ou La Selva, chegando a coincidir com Jorge Lorenzo na de Montmelo.

“Para os seus 15 anos, o nível de Remy já é muito elevado, mas ainda tem que evoluir”, refere o pai, enquanto Luca, dois anos mais novo, também não deixa créditos por mãos alheias nas corridas de iniciação que tem vindo a disputar.

“Na Austrália deixámos muitas coisas, negócios incluídos, mas aqui somos felizes. Estamos muito ocupados a organizar tudo e temos a possibilidade de uma nova vida e de os nosso filhos evoluírem”, explica Wayne Gardner

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