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Sebastien Loeb: “Às vezes tenho sensações únicas e mágicas”
Publicado em 22.Feb.2013
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O piloto mais vitorioso de sempre da história do desporto automóvel falou a O JOGO, abordando questões do passado e do futuro, ao fim de dez anos de carreira ininterrupta no Campeonato do Mundo de Ralis e uns impressionantes nove títulos consecutivos de campeão. Diz que não se sente um super-herói dos desportos motorizados e hesita, até, na resposta quando questionado se possuirá um dom especial, mas confessa, pelo menos, um ponto forte: uma capacidade de concentração ímpar.

Quanto ao resto, o jovem que chegou a sagrar-se campeão de ginástica, por influência do pai – professor dessa modalidade –, antes de, já com a profissão de eletricista, justificar que valia a pena apostar nele para uma carreira nos ralis ao mais alto nível, não dissocia a Citroen dos êxitos que alcançou até agora. Lembra que cresceram juntos, mesmo se o ano transacto tivesse estado com um pé fora dela, antes de reconsiderar e fazer marcha atrás. Tal significou a caminhada, em 2012 para o nono título mundial, que será o último, pelo menos nos ralis, de uma carreira que nunca ninguém antes ousara alcançar em qualquer disciplina dos desportos com motorres.

Anunciou que em 2013 disputará apenas alguns ralis do Mundial, em Novembro já esteve na região do Algarve a fazer testes nos pisos de terra para preparar a próxima época. Isso quer dizer que Portugal, depois de Monte Carlo, pode ser um dos ralis em que vai participar?

Não, de modo algum, estive apenas a trabalhar com a equipa no desenvolvimento do carro para 2013. O Rali de Portugal não faz parte do meu programa na próxima época. Irei disputar somente os ralis de Monte Carlo, da Suécia, da Argentina e da França.

Como é que um electricista de profissão se torna nove vezes campeão mundial? Onde está ou qual é, afinal, a sua grande força?

Eu penso que a minha força nasce da ânsia de vencer e da capacidade de concentração.

Começou a pilotar numa equipa [Citroen] na qual construiu a sua carreira. Isso tornou as coisas de algum modo mais fáceis?

Nós começámos praticamente juntos nos ralis e isso constitui uma força que talvez tenha facilitado as coisas numa única direção. A Citroen sempre me proporcionou o melhor apoio e condições de trabalho, o que constitui um trunfo indispensável para a conquista de títulos.

 

Nunca sentiu o apelo de um desafio para mudar de equipa e mostrar a toda a gente que mesmo fora da Citroen era capaz de vencer ralis e sagrar-se na mesma campeão do mundo?

É verdade que estive perto de deixar a Citroen o ano passado, mas depois pensei e disse a mim mesmo que não seria lógico fazê-lo. Tínhamos evoluído e alcançado tanto sucesso juntos, eu sentia-me realmente bem na equipa, que é como uma família para mim, daí a razão pela qual conclui, de forma incontestável, que deveria continuar. É também a melhor equipa do mundo e eu não sou o único elemento na conquista destes nove títulos mundiais. Nós ganhámo-los juntos, graças ao trabalho de cada um.

Conquistou nove títulos de campeão mundial de ralis, uma proeza inédita no mundo do desporto. Já reflectiu a fundo sobre isso. Não se sente uma espécie de super-herói do desporto automóvel?

Não me vejo, sinceramente, como um super-herói por ter ganho nove títulos mundiais de ralis. Sinto orgulho por termos conquistado todas estas vitórias, mas, mais uma vez, isso resulta de um trabalho de equipa que nós realizámos. Desde o Xsara WRC ao DS3 WRC, passando pelo C4 WRC, todos os carros que me foram colocados à disposição eram bastante competitivos e também foi isso que nos permitiu alcançar essa façanha.

Fazendo uma retrospectiva de todos estes anos de ralis a tempo inteiro no Mundial, é capaz de escolher quando foi o seu melhor momento? E que significado especial teve?

A vitória no Rali de França em 2010 foi um momento muito especial para mim. É que conquistámos o nosso sétimo título em casa e foi emocionante partilhar esses momentos com a minha família e os meus amigos.

E se a sua filha [Valentine], um dia, lhe disser que ambiciona ser piloto de ralis, como reagirá o pai Sébastien? Vai dizer-lhe que seria melhor a ginástica ou o ténis ou o golfe, não?…

Não, de modo algum! Deixá-la-ei praticar o desporto que ela escolher. O essencial é que se sinta feliz, qualquer que seja a opção. E terá sempre, em todo o caso, o meu apoio.

O que representa para si ser o piloto mais vitorioso de sempre da história dos ralis e detentor de uma série de recordes que dificilmente virão a ser batidos nos próximos anos? Sente que, como piloto de ralis, possui um dom especial?

Eu não sei se poderemos falar de dom, mas, de qualquer maneira, sinto-me verdadeiramente bem quando estou ao volante. No momento da partida para uma prova especial de classificação eu chego a esquecer tudo o resto para me fechar no meu casulo. As sensações que eu tenho são únicas e cada instante vivido na baquet [banco de competição] é mágico.

No ralis, Sébastien Loeb vê-se, ou sente-se, mais como Lionel Messi ou como Cristiano Ronaldo?

Não sei verdadeiramente o que responder… Sinto-me como Sébastien Loeb!

Se em 2013 começar a vencer os ralis em que participará e chegar a meio da época bem posicionado no campeonato, vai deixar fugir um 10º título de campeão mundial?

Sim, de certeza, porque esse não é o objetivo. Nós temos outros desafios pela frente em 2013 e é neles que vou concentrar-me. Com certeza que tenho a mesma vontade de vencer, mas é seguro que não irei correr para conquistar um décimo título mundial de ralis!

EQUIPA DE SUCESSO Foi com o seu amigo e “guru” Dominique Heintz que Loeb criou uma equipa para competir nas corridas em circuito, colecionando já diversos êxitos no primeiro ano de vida.

Sébastien Loeb Racing: braço do campeão

Esta época, quando não estiver a cumprir o seu mini-programa com a Citroen no Mundial de Ralis, Sébastien Loeb poderá ser encontrado, na motor home ou nas boxes da equipa com o mesmo nome, algures num circuito qualquer por onde passe o novo Campeonato GT Sprint Series. É ao volante de um McLaren MP4-12 GT3 (na foto) que o piloto francês vai regressar quase a tempo inteiro às pistas de velocidade, depois de este ano ter chegado a fazer, e ganhar, algumas corridas em França do Troféu Porsche, ajudando a sua equipa a… crescer.

A Sébastien Loeb Racing é um verdadeiro braço do campeão de ralis e nasceu em 2011, para iniciar a atividade esta época, sob a liderança de Dominique Heintz, homem de confiança do piloto da Citroen. Aliás, este último a ele lhe deve o impulso, inclusive financeiro, dado às participações em ralis regionais, numa história que começa depois de ter lido um artigo no “Últimas Notícias da Alsácia” dando conta que um tal Sébastien Loeb havia feito o melhor tempo entre todos os participantes do “Volante Rallye Jovem” mas não havia sido selecionado. Uns quanto telefonemas levaram Dominique até ao jovem leão, de quem viria a ser, mais tarde, navegador, em 1997, no Peugeot 106, continuando ainda hoje a ser o “batedor” de confiança nas provas de asfalto do Mundial.

Neste seu primeiro ano de atividade, teve quatro Porsche 911 GT3 Cup no Troféo Porsche Carrera francês, arrasando a concorrência, ao conquistar todos os títulos: pilotos, equipas e gentleman drivers. Competiu ainda com um McLaren MP4-12C e um Mercedes SLS AMG no Campeonato de França de GT, que terminou no terceiro lugar, obtendo ainda um pódio nas 6 Horas de Le Castellet, com um Oreca 03.

“Disputarei o Campeonato GT Sprint Series, porque gosto do formato das corridas, com duas provas de uma hora num fim de semana. São nomeados dois pilotos e a mudança de pneus entra igualmente em conta”, revelou Loeb, que na semana passada esteve no circuito espanhol de Navarra a testar o seu McLaren MP4-12C.

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