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Pneus para inteligentes e testes à socapa
Publicado em 28.May.2013
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A Fórmula 1 não deixa de continuar a surpreender, tanto na pista como nos bastidores, com uma dinâmica que prende as atenções e à qual junta algum folclore, como ainda agora se viu, por causa dos pneus, no sempre glamoroso Grande Prémio do Mónaco – sexta prova do Mundial –, ganho por Nico Rosberg três dezenas de anos depois de o seu pai Keijo [Keke, o nome pelo qual era mais conhecido] ter conquistado aquela que seria a segunda vitória numa prova do Campeonato do Mundo, então com um Williams. E não deixa de ser curioso que nesse longínquo ano de 1983 (na nossa estreia monegasca a nível profissional da F.1!) Rosberg tenha triunfado na sequência de uma arriscada aposta em pneus para piso seco, quando as previsões meteorológicas indicavam forte possibilidade de chuva. Ao fim de poucas voltas, enquanto os adversários perdiam tempo a ir às boxes trocar os pneus de chuva pelos slicks (piso seco), o finlandês, na altura campeão mundial em título, ficava cada vez mais líder e nem alguma chuva ocasional que depois caiu no Principado o perturbou para conquistar um dos triunfos mais emblemáticos da sua brilhante carreira…

Hoje, neste Mundial’2013, os pneus são bem diferentes de há 30 anos, mas, ao contrário de outrora, passaram a significar, para pilotos e equipas, um quebra-cabeças, porque foram concebidos especificamente para não durar a totalidade de uma corrida, de modo a “apimentá-la” com inevitáveis paragens nas boxes para a respetiva substituição. Desde o início do ano que algumas equipas se queixam, designadamente a Red Bull, de que não conseguem tirar partido do potencial dos seus monolugares, alegando que a performance é prejudicada pelo excessivo desgaste de pneus e consequentes paragens nas boxes durante a corrida. E nem sempre os melhores carros ou os mais rápidos em termos absolutos venceram corridas desde o início desta época, mas sim quem consegue o melhor compromisso de afinação do carro e a estratégia adequada para chegar ao fim em primeiro.

Afinal, como já se suspeitava, para criar toda essa dinâmica, evitando transmissões televisivas monótonas e, eventualmente, sem interesse, foi concertado, previamente, um plano pelo “pai” daquela que é hoje a Fórmula 1 moderna.

“Eu pedi à Pirelli que construísse pneus que não completassem 50 por cento da corrida, o que significa mais paragens nas boxes. E foi isso que eles fizeram. É muito difícil prever ou dizer que os pneus durarão 15 ou 20 por cento de uma corrida, porque cada circuito é diferente, as temperaturas variam, os carros são diferentes e, por último, cada piloto tem o seu estilo de condução. No passado, chegámos a um ponto em que os pilotos não tinham que pensar em nada, mas agora eles têm de usar o cérebro para ganhar corridas. A coisa mais fácil para a Pirelli seria produzir pneus que se usavam no início da primeira corrida da época e se retiravam na última…”, disse Bernie Ecclestone, o promotor do campeonato e proprietário dos direitos comerciais da Fórmula 1, em entrevista recente, numa espécie de resposta a todos quantos têm criticado o trabalho desenvolvido pela Pirelli, a marca de pneus que desde há dois anos tem o exclusivo da Fórmula 1.

O que não estava previsto depois da primeira prova da época no continente europeu (GP de Espanha, em Barcelona) e antes do sempre aliciante e diferente GP do Mónaco era saber-se que a Mercedes, uma das equipas que se debatia com maiores problemas para tirar partido dos pneus durante as corridas, fizera testes com a Pirelli na pista catalã durante três dias (15, 16 e 17 de Maio), quando os mesmos são interditos logo que começa o campeonato. Coincidência ou não, essa mesma Mercedes, a equipa que nas três últimas qualificações arrebatara a “pole position” mas depois se perdia ao fim de poucas voltas de corrida, desta vez aguentou-se e triunfou, de forma categórica, nas ruas monegascas.

Red Bull e Ferrari fizeram valer o seu protesto junto da FIA (Federação Internacional do Automóvel), restando saber se a equipa alemã poderá vir a ser punida. A Mercedes diz-se tranquila, lembrando que o regulamento prevê o pedido de colaboração da Pirelli a uma equipa para ajudar no desenvolvimento dos seus produtos, mas as concorrentes [Red Bull e Ferrari] alegam que em tais testes nunca poderiam ser sido utilizados os monolugares de 2013… Um imbróglio que a FIA, depois de ouvir as partes envolvidas, endossou para o seu Tribunal Internacional.

 

O Mundial após o GP do Mónaco

Pilotos

1º, Sebastien Vettel (Red Bull), 107 pontos

2º, Kimi Raikkonen Lotus), 86

3º, Fernando Alonso (Ferrari), 78

4º, Lewis Hamilton (Mercedes), 62

5º, Mark Webber (Red Bull), 57

6º, Nico Rosbsrg (Mercedes), 47

7º, Felipe Massa (Ferrari), 45

8º, Paul Di Resta (Force India), 28

9º, Romain Grosjean (Lotus), 26

10º Jenson Button (McLaren), 25

Construtores

1º, Red Bull, 164 pontos

2º, Ferrari, 123

3º, Lotus Renault, 112

4º, Mercedes GP, 109

5º, Force India F1, 44

6º, McLaren-Mercedes, 37

7º, Toro Rosso, 12

8º, Sauber, 5

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