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O instrutor de esqui admirador de Makinen
Publicado em 18.Apr.2013
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“Nos dias de hoje já não há mais tempo para esperar e aprender. É preciso fazer as provas depressa e ganhar o mais cedo possível, para mostrar aquilo que valemos”, declarava, em 2008, um jovem (25 anos) piloto francês, na Volta à Córsega, ao assegurar o título de campeão mundial júnior de ralis ao fim de seis provas. Estreara-se no México com o Citroen C2 S1600 alguns meses antes, não sem surpreender tudo e todos, ao somar o seu primeiro ponto no Campeonato do Mundo, graças a um oitavo lugar absoluto. Era Sébastien Ogier, o piloto que no último domingo ganhou pela terceira vez o Rali de Portugal, a emergir numa especialidade que já então tinha outro Sébastien como referência incontornável: Loeb.

Nascido em Gap, nos Alpes, uma das zonas mais emblemáticas do Rali de Monte Carlo, terá aprendido mais depressa a esquiar do que a dar os primeiros passos e ainda jovem já tinha o diploma de instrutor de esqui. A paixão pelos carros surgiu por essa altura, como ele recorda:

“Na minha família ninguém tivera antecedentes no desporto automóvel, exceto um dos meus tios, que fez algumas provas de autocrosse. Quando tinha sete anos fui vê-lo correr e foi aí que despertou em mim o entusiasmo pela pilotagem e o desporto automóvel”, lembra. Chegou, então, a fazer algumas corridas com um kart cross artesanal, mas a família nunca lhe deu muito espaço para pensar em competição a sério, porque a prioridade deviam ser os estudos. Já mais crescido, e sempre com o desporto automóvel em mente, na sua escolaridade optou pela área da técnica e dos motores, não perdendo, nos finais da década de 90, as classificativas do rali monegasco que passava ali á porta de casa, na zona do Sisteron. Admirava Tommi Makinen e na memória terá ficado gravado o estilo agressivo do piloto finlandês, nome que marcou uma era nos ralis.

Depois de em 2005, aproveitando a campanha “Ralis Jovens”, se ter inscrito na iniciativa da Federação Francesa de Desporto Automóvel, que tinha como objetivo a descoberta de novos talentos, Ogier foi o melhor no Taça Peugeot 206 em 2006 e no ano seguinte era eleito “Esperança 2007” por uma revista especializada. E em Outubro desse mesmo ano, teve oportunidade de guiar o carro “0” na Córsega, prova francesa do Mundial, campeonato em que já pontificava o seu modelo… Loeb, então com o Citroen C4 WRC. Não esquece a situação, mesmo partindo para as classificativas com um avanço de 10 minutos face ao primeiro piloto na estrada. “Estava sempre a olhar para os retrovisores, não fosse surgir o Sébastien [Loeb]. Foi uma bela experiência”, recordaria, mais tarde, o agora piloto da Volkswagen.

Ainda antes, nessa mesma época, Loeb, numa das suas folgas do Mundial, tinha ido a Limoges espreitar o Rali do Limousin, porque ouvira falar de um, tal… Ogier e estava curioso de vê-lo em ação. “O encontro com Sébastien Loeb aqueceu-me o coração. Tenho respeito e admiração por ele”, disse, então, o piloto de Gap, ainda longe de imaginar que ambos haveriam, não muitos anos depois, de coincidir na equipa Citroen.

Ao ex-piloto Guy Frequelin sucedeu Olivier Quesnel na liderança da Citroen Sport e este último, alertado por elementos do seu “staff”, não duvidou em incluir Ogier sob a tutela da marca e inscrevê-lo no Mundial Júnior com o C2. Deu-lhe oportunidade de escrever uma história cujo primeiro capítulo foi em 2008, no México. Nessa altura já o jovem piloto de Gap havia escolhido, algum tempos antes, para seu navegador Julien Ingrassia, uma personalidade que contrastava com o seu feitio tímido e reservado. Exatamente como o outro Sébastien [Loeb], que tem a seu lado o expansivo e… divertido Daniel Elena, filho de um monegasco e uma emigrante espanhola.

Mas em breve o novo Sébastien haveria de complicar as ambições do mais velho, quando, já no Júnior Team da Citroen, com um C4, fez a vida… negra a Loeb, em 2008, no imprevisível Rali de Gales (Inglaterra). “Jamais poderia imaginar que pudesse conseguir uma vantagem de dois segundos/quilómetro à dupla Loeb/Elena. Mas foi a única vez…”, graceja.

A verdade, porém, é que o novo delfim revelou ser um dos poucos (único com “armas” idênticas) a bater Loeb, ganhando-lhe cinco ralis do Mundial em 2011. Não havia mais dúvidas que a coabitação entre ambos na Citroen não iria ser pacífica a partir de então… E foi sem surpresa que no final desse ano deixou a equipa francesa e a Volkswagen, à procura de um… Sébastien para o seu regresso ao Mundial de Ralis em 2013, não hesitou em contratá-lo. Era o melhor piloto, em termos de presente e também de futuro, mesmo sabendo o francês que na época seguinte (2012) o seu trabalho não era ganhar ralis, mas ficaria confinado, apenas, aos testes de desenvolvimento do novo Polo R WRC e à participação, apenas para manter o contacto com as provas do campeonato, “recreativa” com um Skoda Fabia S2000. Mesmo assim, ganhou dez vezes a respetiva classe…

“É uma grande sorte a França ter conseguido, consecutivamente, dois pilotos, embora de gerações diferentes, do calibre de Loeb e de Ogier. São verdadeiramente excepcionais, uma raridade…”, comentava Sainz, a semana passada, no Rali de Portugal.

 

SÉBASTIEN OGIER

17 de Dezembro de 1983 (29 anos)

Naturalidade: Gap (França)

Residência: Forest Saint Julien (França)

Desportos favoritos: Motores e esqui

Vencedor da Taça Peugeot em 2007

Estreia no WRC: México’2008

Campeão mundial Júnior de ralis em 2008, com Citroen C2 S1600

 

As 10 vitórias WRC

1 2010 Rali de Portugal Citroen C4 WRC

2 2010 Rali da Jordânia Citroen C4 WRC

3 2011 Rali de Portugal Citroen DS3 WRC

4 2011 Rali da Jordânia Citroen DS3 WRC

5 2011 Rali Acrópole Citroen DS3 WRC

6 2011 Rali da Alemanha Citroen DS3 WRC

7 2011 Rali de França Citroen DS3 WRC

8 2013 Rali da Suécia VW Polo R WRC

9 2013 Rali do México VW Polo R WRC

10 2013 Rali de Portugal VW Polo R WRC 

FRASE

“O Rali de Portugal é a minha prova favorita. Foi nele que conquistei, em 2010, a minha primeira vitória no Campeonato do Mundo. É um rali cujas classificativas têm muitos topos e saltos, secundados por curvas rápidas em que não se vê onde vamos aterrar. Por isso, é muito importante ter esses detalhes muito bem assinalados nas notas de andamento”

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