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MotoGP ou os pilotos de borracha
Publicado em 16.Jul.2013
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As quedas, felizmente sem consequências fatais, ou mesmo de elevada gravidade para os seus protagonistas, têm acontecido com uma frequência inusitada nas últimas jornadas do Mundial de MotoGP, cujo campeonato está a chegar a meio da época, mas não creio que esteja a ser dada uma boa imagem do expoente máximo da modalidade das duas rodas. Não pelas quedas, que são ossos do ofício, fazem parte do espetáculo e podem acontecer quando menos se espera, mas pela forma como os intervenientes procuram ultrapassar as consequências da mesmas, voltando à pista pouco mais de 24 horas depois de uma invenção cirúrgica, como que a saúde não deva ser preservada no desporto de alto nível. Foi o que aconteceu com Jorge Lorenzo, no final de Junho, no Grande Prémio da Holanda, e teve episódios algo semelhantes no passado fim de semana, em Sachsenring, no Grande Prémio da Alemanha. Na pista holandesa de Assen, recorde-se, o piloto espanhol da Yamaha caiu na quinta-feira, daí resultando uma fratura da clavícula esquerda, pelo que seguiu de imediato num voo privado para Barcelona, onde foi operado no mesmo dia, para no seguinte estar de volta, de novo num avião fretado para o efeito, a Assen e no sábado – no GP da Holanda a corrida é sempre disputada nesse dia e não no domingo… – lá estava na grelha de partida, ainda em convalescença, para alinhar na prova. E depois de grande sofrimento, perante o espanto de todos, ainda conseguiu terminar a prova na quarta posição, numa jornada em que o seu colega Valentino Rossi logrou, finalmente, reencontrar-se com as vitórias, o que não acontecia desde Novembro de 2010!

Não deixa de ser caricato o facto de o piloto ter obtido autorização médica para participar numa corrida pouco menos de 30 horas depois de se ter submetido a uma intervenção cirúrgica e estar, portanto, em inferioridade física. Pelos vistos, no motociclismo também vale colocar em risco a saúde do próprio piloto e, até, a segurança dos adversários, como se os pilotos fossem de borracha ou passem por invertebrados… É essa, quanto a mim, a imagem que fica para quem está do lado de fora, quando a defesa da integridade física do piloto, por muito que ele próprio a recusasse em nome das suas ambições desportivas, deveria começar pela autoridade desportiva através do seu “staff” médico especializado. É assim, por exemplo, na Fórmula 1, que tem vindo, desde os tempos de um senhor já desaparecido como foi Sid Watkins – o neurocirurgião britânico que durante mais de duas décadas foi o responsável pela equipa médica de todos os Grande Prémios – a implementar normas de segurança bastante rígidas.

A “cena” esteve quase a repetir-se agora em Sachsenring, na Alemanha, e de novo na categoria de MotoGP, quando o mesmo Jorge Lorenzo caiu nos treinos livres na sexta-feira e Dani Pedrosa seguiu-lhe as pisadas no sábado. No caso de Lorenzo, este viu ser-lhe afetada de novo a mesma clavícula (esquerda) já fraturada em Assen, repetindo o “filme” da Holanda com uma viagem de avião para Espanha, a fim de submeter-se a nova intervenção cirúrgica, chegando a pairar as dúvidas se… estaria em condições de correr no domingo. Desta vez, porém, ao receber uma nova placa de titânio e uma dezena de parafusos, para consolidar a recuperação da fratura, o piloto da Yamaha nem sequer teve escolha senão ver a corrida… pela TV já em casa. E lá foi dizendo que não correrá no próximo fim de semana (19/20/21 julho) o Grande Prémio dos Estados Unidos, em Laguna Seca, mas o certo é que no paddock de Sachsenring corriam rumores de que a Yamaha também incluíra a sua moto no lote de material despachado para os “states”.

Quanto a Dani Pedrosa, o caso não é menos gritante, se dissermos que a queda do piloto da Honda lhe provocou um traumatismo crânio-encefálico, afetando também uma clavícula, mas no domingo de manhã já tinha “luz verde” para correr e só as tonturas e a quebra de tensão sentidas pouco antes do “warm up”colocaram, definitivamente, um travão na ideia de alinhar na prova que acabou ganha pelo seu colega Marc Marquez.

Por fim, e talvez o sucedido ao piloto espanhol de Moto2 Tito Rabat seja um alerta para o futuro, relativo à imperiosa necessidade de em cada Grande Prémio haver meios de diagnóstico fiáveis a nível radiológico. É que depois de uma queda na manhã de sábado, no centro clínico do circuito não lhe foi detetada qualquer fratura, com os médicos a falarem numa “distensão dos ligamentos”. Em grande esforço, Rabat fez uma corrida notável, durante a qual recuperou nove posições para acabar em décimo quarto e conseguir amealhar pontos. Só depois, face às dores que persistiam, um novo diagnóstico explicou tudo: dupla fratura do pé esquerdo! 

Classificação após 8 das 18 provas do Mundial e MotoGP

1º, Marc Márquez (Honda)m 138 pontos

2º, Dani Pedrosa (Honda), 136

3º, Jorge Lorenzo (Yamaha), 127

4º, Cal Crutchow (Yamaha), 107

5º Valentino Rossi (Yamaha), 101

 

Miguel Oliveira a subir de “forma”

O jovem Miguel Oliveira revela cada vez maior consistência em Moto3 e o quarto lugar final, depois de ter partido da terceira posição da grelha, representou um bom prémio para o seu brilhante desempenho na pista alemã. Como ele próprio sublinhou, um arranque menos conseguido – falou mesmo em erro… – fê-lo perder o contacto com o grupo da frente logo no início, mas o certo é que foi o único “não KTM” a intrometer-se na discussão dos primeiros lugares, cuja supremacia continua a pertencer aos pilotos equipados com motos do construtor austríaco.

Até ao final da época, e numa altura em que a discussão do título promete durar até à última prova entre os espanhóis Luís Salom, Maverick Viñales e Alex Rins, o piloto de Almada deverá confirmar esta subida de “forma”, como reflexo, também, do bom trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela equipa indiana. 

Classificação após 8 das 18 provas do Mundial de Moto3

1º, Luís Salom (KTM), 172 pontos

2º, Maverick Viñales (KTM), 158

3º, Alex Rins (KTM), 142

4º, Jonas Folger (KTM), 81

5º, Alex Marquez (KTM), 70

6º, MIGUEL OLIVEIRA (MAHINDRA), 69

7º, Jack Miller (Honda), 47

8º, Brad Binder (Honda), 46

9º, Alexis Masbou (Honda), 42

10º, Efrén Vasquez (Mahindra), 41

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