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João Barbosa: o piloto antisistema que emigrou e até já venceu as 24 Horas de Daytona
Publicado em 22.Feb.2013
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Longe vão os tempos em que, cansado de esperar pelos patrocínios que nunca chegavam, mesmo detendo um palmarés recheado de êxitos, decidiu, pura e simplesmente, partir à procura do sonho americano sem ter que levar uma mala com alguns milhares de dólares. Hoje, volvida mais de uma década, João Barbosa é, aos 38 anos, um piloto profissional de sucesso nos Estados Unidos e até já venceu, em 2010, as míticas 24 Horas de Daytona, uma das competições mais famosas do mundo no desporto automóvel. Integra a equipa Action Express Racing, tripulando um Corvette Daytona Protótipo no campeonato Grand Am, e na época em curso voltou a estar na luta pela vitória na prova de resistência em que já triunfou, acabando por concluí-la no quarto lugar.

Se nos primeiros anos dividia o tempo entre os Estados Unidos e o Porto, por razões familiares, desde meados de 2011 que fixou residência em Daytona Beach, passando a ter a seu lado a mulher Mariana e os filhos Rodrigo (9 anos) e Gil (6 anos). É fácil de perceber que João Barbosa, piloto com notoriedade nas corridas de protótipos dos Estados Unidos e quase um desconhecido para a maioria dos portugueses, vive o capítulo mais feliz da sua carreira.

“Passa-me ao lado, para o bem e para o mal, ter pouco reconhecimento no meu país e até admito que esse terá sido o meu grande defeito, pois sempre liguei pouco à imagem. Nunca fiz nada para aparecer nos jornais ou nas revistas e talvez isso tenha dificultado a obtenção de patrocínios. Quem quiser falar de mim que fale, se não quiser… tudo bem. Felizmente, no meio que me interessa, que é o das corridas, as pessoas conhecem o meu trabalho e contratam-me por isso, não por ter aparecido nos jornais…”, diz o piloto que há muito é pago para correr, deixando de estar dependente de patrocínios para conseguir um volante.

Começou pelo karting, conquistando vários títulos, mas notoriedade chegou em 1994, quando se sagrou campeão nacional de Fórmula Ford, para no ano seguinte, em Itália, vencer a Formula Alfa Boxster, antes de competir, em 1996, o campeonato italiano de Fórmula 3. Acabou vice-campeão e o prémio foi um teste com o Fórmula 1 da então equipa Minardi, no circuito de Misano. “Eles [equipa Minardi] mostraram interesse, mas pediram um pouco menos que um milhão de dólares para eu fazer o Mundial de F.1. Seria óptimo, mas não tinha patrocínios…”.

A partir de determinada altura, como nos confessaria mais tarde – depois de ter ganho as 24 Horas de Daytona –, deixou “de ser crente”. Não em qualquer religião ou credo, mas na “ditadura” dos patrocínios para ser profissional no automobilismo.

“Tentei fazer a melhor carreira possível, mesmo dispondo de poucos apoios, e a verdade é que, dadas as circunstâncias, consegui quase sempre bons resultados, mas, no fim de contas, eles em nada influenciavam a obtenção de patrocínios. A partir daí, deixei de ser crente… pois se queria construir uma carreira profissional, não poderia estar dependente deles. Com muitos sacrifícios, tentei fazer as coisas de outra maneira e aproveitar as oportunidades para demonstrar o meu valor”.

Foi piloto da Mosler, construtor norte-americano de carros desportivos, ajudando também no desenvolvimento dos seus modelos de estrada. Aos poucos, Barbosa mostrava credenciais e conhecia gente das corridas, como sucedeu com o inglês Martin Short, piloto e proprietário da equipa Rollcentre Racing, que lhe ofereceu um contrato e com a qual terminou no quarto lugar absoluto a edição de 2007 das 24 Horas de Le Mans, o melhor resultado em sete participações. Mas é nos “States” que centra agora sua carreira e espera ficar por muitos anos, porque, como lembra, “aqui a idade conta pouco, acima de tudo estão os resultados…”.

“Se sou bem pago nos Estados Unidos? Queremos sempre mais e eu, como piloto, considero que nunca sou bem pago. Felizmente, o que recebo dá para fazer a minha vida e sustentar a família, que é o que mais importa neste momento”.

 

Levou a mulher a dar uma volta no Riley/Porsche em Daytona:

“Há sempre alguém a perguntar se ainda estou casado”

 

Correu mundo, em 2012, o vídeo colocado no youtube em que João Barbosa leva a mulher, Mariana, no banco do lado direito do Riley/Porsche da equipa Action Express Racing durante uma volta ao circuito de Daytona. Antes de arrancar, já de capacete e com os cintos apertados, ela pede-lhe: “Quando eu pedir, páras, ok?”. Só que Barbosa apenas se detém quando entra de novo nas boxes e até lá sucedem-se os gritos no habitáculo (http://www.youtube.com/watch?v=updyPbEJ8f4). Hoje, é rara a corrida nos Estados Unidos em que o simpático piloto português não seja abordado pelos fãs.

“A minha mulher tornou-se quase mais famosa do que eu nas corridas, por causa do vídeo. Há sempre alguém que vem ter comigo e pergunta se ainda estou casado, se ela já me perdoou ou se vai haver uma segunda parte…”.

 

Corridas nos EUA: espetáculo para atrair público

Há mais de uma década a competir nas pistas norte-americanas, confessa-se, em termos de mentalidade, bastante identificado com o meio que o rodeia, algo diferente das corridas na Europa.

“Cá, tem que ser um espetáculo para atrair público e encher as bancadas. Se um circo não tiver público, fecha por falta de receitas e aqui, nas corridas, é igual. O negócio tem que dar dinheiro e… ter público, única forma de ser sustentável. É a forma correta de gerir o desporto automóvel”.

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