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F.1: Adrian Newey, o Shakespeare da engenharia
Publicado em 08.Jul.2013
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Se William Shakespeare foi o maior escritor inglês da história e está considerado o dramaturgo mais influente do mundo, na engenharia da Fórmula 1 ele tem um conterrâneo que não o faz por menos. Também nascido na pequena cidade de Stratford-upon-Avon, há mais de 30 anos que Adrian Newey é uma referência como projetista de carros de competição, primeiro nos Estados Unidos e nas duas últimas décadas mais especificamente na Fórmula 1, a disciplina considerada o expoente máximo do automobilismo de velocidade, em termos de tecnologia e de performance. E ainda no domingo passado, no Grande Prémio da Alemanha, a vitória de Sebastien Vettel e do Red Bull permitiu ao jovem piloto alemão e à equipa que é propriedade da marca de bebidas energéticas destacarem-se cada vez mais na frente do Mundial de Fórmula 1.

É verdade que ambos os campeonatos ainda estão, porque há mais dez provas pela frente, longe de estar decididos, mas, aos poucos, a supremacia do carro desenhado por aquele genial engenheiro de 54 anos é indiscutível, mesmo que o RB9 não seja o monolugar que melhor rendimento retira dos novos pneus Pirelli. Apesar de tudo, ainda tem (sempre ou quase) uma margem suficiente para permitir ao tricampeão mundial abrir caminho, aos poucos, rumo ao que parece inevitável… quarto título consecutivo.

Aliás, no final da corrida de Nurburgring o próprio Vettel, radiante por, finalmente, ter conseguido ganhar “em casa”, respirava de alívio com o final da corrida, porque já tinha os pneus no limite e com mais duas ou três voltas ser-lhe-ia impossível evitar que Kimi Raikkonen terminasse na primeira posição. Mais uma vez, os Lotus fizeram uma corrida fantástica, terminando em segundo e terceiro (Romain Grosjean), sem dúvida a melhor, a nível competitivo, do campeonato até ao momento. Também ficou claro que tanto a Ferrari como a Mercedes necessitam de evoluir rapidamente para poderem intrometer-se de forma consistente na discussão dos primeiros lugares.

“Não” à Ferrari por duas vezes

A entrada em vigor de um novo regulamento, em 2013, e os pneus diferentes, face à época anterior, fornecidos pela Pirelli não foram obstáculo para Adrian Newey manter a Red Bull em alta, ainda que nas primeiras provas a “performance” do monolugar fosse penalizada por falta de um acerto adequado do mesmo para as características do “calçado”.

Hoje, a influência de Newey na Red Bull, onde ingressou em 2006, proveniente da McLaren, é muito mais ampla do que a simples conceção de Fórmula 1 ganhadores e, de forma indireta, estende-se até ao mercado de pilotos. O jovem acabado de se formar com distinção em engenharia aeronáutica que decidiu, em 1980, contatar várias equipas de Fórmula 1, teve apenas uma resposta: da equipa Fittipaldi. Para a entrevista, montou na sua moto que já pouco tinha a ver com a versão original, a caminho da sede da equipa, em Reading, a meia centena de quilómetros de Londres. “O projetista-chefe, que era Harvey Postlethwaite [engenheiro que passou por equipas como Ferrari, Tyrrell, Hesketh e Honda, falecido em 1999 com um ataque cardíaco, em Barcelona, no decurso de um teste da Honda], estava à porta a conversar com uma pessoa. Depois de me identificar, ele mostrou tanto interesse na minha moto que pediu para dar uma volta. Quando Harvey voltou, disse que não era necessário eu deixar o currículo, porque o emprego era meu”, contou Newey numa entrevista ao nosso colega Livio Oricchio.

Esses eram apenas os primeiros passos de uma carreira que cedo o levou, e com sucesso, aos Estados Unidos, para desenhar o March 86C com que o consagrado Bobby Rahal venceu, em 1986, não só as míticas 500 Milhas de Indianápolis mas também o campeonato CART.

As ideias de Newey, o único engenheiro-projetista que na história da Fórmula 1 soma oito títulos de campeão mundial e o único a alcançar, em 2010, a proeza inédita de ter vencido campeonatos de Pilotos e de Construtores por três equipas diferentes (Williams, McLaren e Red Bull) sempre estiveram à frente da concorrência, não raras vezes surpreendida pela sua genialidade. Foi ele quem inventou, em 2011, o famoso sistema que aproveitava, através de um difusor, os gases de escape para aumentar a pressão aerodinâmica, entretanto banido para a época seguinte.

Já por duas vezes que Adrian Newey disse “não” à Ferrari, a última das quais quando até lhe foi colocado à frente um cheque em branco na tentativa de seduzi-lo a liderar o departamento técnico da equipa italiana. E antes de decidir prolongar o seu contrato com a Red Bull até 2014, Sebastien Vettel quis ter a certeza que poderia contar com o seu projetista de eleição, hoje um dos milionários da Fórmula 1, falando-se que não cobra menos que 9 milhões de euros/época.

“Adrian e os técnicos que trabalham com ele representam a garantia de que deveremos lutar pelos primeiros lugares nos próximos anos”, explicou o piloto alemão que, pelas condições de que dispõe na equipa onde “nasceu” como campeão e em que tudo gira à sua volta, também nunca sentiu motivação para mudar de ares…

Relacionar os desafios para soluções simultâneas

Até hoje, Adrian Newey desenhou os Williams com que Nigel Mansell (1992), Alain Prost (1993), Damon Hill (1996) e Jacques Villeneuve (1997) se sagraram campeões, a que se juntam os McLaren do “bis” de Mikka Hakkinen (1998 e 1999) e, por último, os Red Bull que permitiram a Sebastien Vettel tornar-se (2010, 2011 e 2012) no mais precoce campeão mundial de F.1. São nove campeonatos que o distinguem de outra figura de topo como o sul-africano Rory Byrne, já retirado em 2006 mas que foi o grande projetista dos sete títulos de Michael Schumacher, dois na Benetton e mais cinco na Ferrari.

“Adrian tem respostas originais e extremas para os muitos problemas que temos para desenhar um Fórmula 1, mas faz a diferença na forma como integra as várias soluções que aplica no projeto”, realça Ross Brawn, diretor da Mercedes e nome de grande prestígio na modalidade.

E quando se questiona qual o seu segredo para projetar carros ganhadores ou, pelo menos, competitivos, o próprio Newey não esconde:

“O meu pai ensinou-me que num exame na escola, primeiro há que ler todas as perguntas, para só depois começar a respondê-las”, disse, para, logo de seguida, especificar:

Quando há uma mudança no regulamento e vou projetar um carro de Fórmula 1, relaciono todos os desafios que terei de enfrentar e procuro sempre as soluções que respondam, em simultâneo, às necessidades de várias áreas. Esses desafios ficam na minha mente, durmo a pensar em eventuais soluções, sonho e tomo banho com os problemas. Às vezes, logo que acordo, de manhã, ou quando estou no chuveiro surgem na minha mente as respostas que procurava”, confessou Newey. 

Quando restam dez provas (Hungria, Bélgica, Itália, Singapura, Coreia, Japão, Índia, Abu Dhabi, Estados Unidos e Brasil) para o termo da temporada, as classificações do Mundial de F.1 estão assim ordenadas:

Mundial de Pilotos (após 9 provas)

1º, Sebastien Vettel (Red Bull), 157 pontos

2º, Fernando Alonso (Ferrari), 123

3º, Kimi Raikkonen (Lotus), 116

4º, Lewis Hamilton (Mercedes), 99

5º, Mark Webber (Red Bull), 93

6º, Nico Rosberg (Mercedes), 84

7º, Felipe Massa (Ferrari), 57

8º, Romain Grosjean (Lotus), 41

9º, Paul di Resta (Force Índia), 36

10º, Jenson Button (McLaren), 33

Construtores

1º, Red Bull, 250 pontos

2º, Mercedes, 183

3º, Ferrari, 180

4º, Lotus Renault, 157

5º, Force Índia, 59

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