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Do mercado de pilotos à polémica dos pneus
Publicado em 13.May.2013
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A Fórmula continua muito animada, como se viu, domingo último, no Grande Prémio de Espanha, ganho, de forma categórica, por Fernando Alonso e a Ferrari, que ainda colocou Felipe Massa no pódio, onde esteve também o discreto mas eficaz Kimi Raikkonen, cujo segundo lugar lhe permitiu aproximar-se do líder Sebastien Vettel na tabela classificativa do Campeonato do Mundo. Estes últimos, aliás, são os dois nomes na crista da onda quando se fala em mercado de transferências, mesmo se o alemão apenas termina o seu vínculo à equipa da marca de bebidas energéticas no final de 2014. Ainda é demasiado cedo, pensar-se-á, mas a Mercedes, como o seu diretor Niki Lauda fez questão de tornar público numa entrevista ao “Bild”, pensa de forma diferente e procura convencer já o bicampeão mundial a dizer “sim”, no final do próximo ano, ao ingresso na equipa do construtor que é um dos maiores símbolos da Alemanha.

Do lado da Red Bull, a provável saída de Mark Webber no termo desta temporada, quando cessa o seu contrato, abre a porta a Kimi Raikkonen, que fica livre no final da época em curso e até seria bem aceite por Vettel – até agora têm sido amigos… – e do agrado dos responsáveis da equipa. O finlandês que em 2012, quando venceu em Abu Dhabi, dispensou as recomendações do seu engenheiro da Lotus (“Deixem-me em paz, eu sei bem o que tenho de fazer…”, disse, então, Raikkonen pelo rádio para as boxes), tem sido um dos pilotos que melhor lida com as caraterísticas dos pneus Pirelli para conseguir bons resultados e soma agora apenas quatro pontos de desvantagem para Sebastien Vettel. Se havia quem duvidasse, depois da experiência mal sucedida de dois anos nos ralis, da motivação de Raikkonen para, com o talento que sempre lhe foi reconhecido, brilhar de novo na Fórmula 1, aí está a resposta…

No circuito catalão de Montmelo, palco da primeira prova europeia da temporada, o bicampeão e a Red Bull não foram tão eficazes no uso dos pneus quanto a concorrência, voltando a aumentar o tom das críticas de algumas equipas à Pirelli, mesmo depois de esta ter procedido a pequenas alterações com o objetivo de aumentar a durabilidade dos pneus de mistura mais dura.

A indiscutível superioridade de Fernando Alonso e da Ferrari neste GP de Espanha teve como base uma estratégia perfeita, ou muito perto disso, na gestão dos pneus a que tinha direito. E não deixa de ser curioso referir que a equipa italiana ignorou a previsão feita pela Pirelli de três paragens durante a corrida (66 voltas/307,104 km), para fazer mais uma. Para mudar de pneus quatro vezes, o piloto espanhol imprimiu, em cada conjunto de voltas, um ritmo impressionante (“era como se estivesse em qualificação, depois de ter arriscado na partida, para me colocar na frente…”, lembrou mais tarde). Partiu com pneus médios, à nona volta trocou-os por duros, na volta 21 montou um novo jogo de duros, na volta 36 regressou aos pneus médios, para na 49 montar de novo pneus duros que o levariam até ao final da corrida.

“Temos que nos pôr em dia, pois não estamos a andar ao ritmo do carro, vamos ao ritmo dos pneus, mas estamos a fazer algo que contribui para que se desgastem demasiado…”, comentava depois Sebastien Vettel, mesmo assim satisfeito, face às circunstâncias, com o quarto lugar final. “Os três primeiros carros eram mais rápidos do que nós e fizeram um trabalho melhor no que toca a poupar os pneus”, concluiu.

Quem continua agastado com as limitações impostas pelos pneus fornecidos pela Pirelli é o patrão da Red Bull, Dietrich Mateschitz, que até já se reuniu, a esse propósito, com Bernie Ecclestone, o promotor do Mundial de Fórmula 1, no final da prova espanhola, para manifestar o seu desagrado. Na opinião do empresário austríaco, não faz sentido que a gestão dos pneus se sobreponha à competitividade dos monolugares.

“Toda a gente viu o que sucedeu aqui. Isto já não tem nada a ver com corridas, é uma competição sobre a gestão dos pneus Pirelli. As corridas de carros autênticas são outra coisa diferente. Dadas as circunstâncias, não podemos obter o melhor do nosso carro nem dos nossos pilotos. As qualificações são irreais, porque lutas pela conquista da ‘pole’ quando, na realidade, toda a gente pensa apenas em como poupar pneus para a corrida. Para tirar partido do nosso carro teríamos de parar oito ou dez vezes na boxe durante a corrida, dependendo da pista. O objetivo era conferir mais emoção às corridas, mas não tanto. Isto agora é diferente do original que deve ser uma corrida”.

As palavras de Mateschitz, cuja equipa continua a dispor, na linha das últimas épocas, dos monolugares mais rápidos e eficazes, mas nem sempre consegue adequá-los a uma imprescindível gestão adequada dos pneus, vieram, mais uma vez, fazer refletir os responsáveis da Fórmula 1. E a leitura só pode ser esta: se não for para andar a fundo da primeira à última volta e exprimir o potencial do carro, então vamos embora… porque a essência das corridas nunca foi, como é agora, gerir pneus.

 

Classificação após 5 provas (faltam 14):

1º, Sebastien Vettel (Red Bull), 89 pontos

2º, Kimi Raikkonen (Lotus), 85

3º, Fernando Alonso (Ferrari), 72

4º, Lewis Hamilton (Mercedes), 50

5º, Felipe Massa (Ferrari), 45

6º, Mark Webber (Red Bull), 42

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